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Blog de avany



Trintona e feliz, não me trate como coitada 

Foto reprodução

"Ela tem entre 30 e 40 anos, é bonita, inteligente, bem sucedida e solteira. Por trás de toda sua beleza e do estilo independente de vida, há uma mulher que sonha encontrar um grande amor com quem dividirá a pia do banheiro e constituirá família. O problema é que, por mais que sejam atraentes e 'bom partido', elas não conseguem encontrar um par. Afinal, o que acontece com essa geração de mulheres solteiras?..."

É sempre assim que começa os textos que contam o "dilema" das bem resolvidas. Mas volta tudo, nem sempre elas são tão bonitas assim. Inteligentes e bem sucedidas sim, mas que história é essa de encontrar um grande amor? No máximo elas estão procurando alguém com competência para levar uma relação a sério, e aí está o problema. A maioria dos homens estão correndo de relacionamentos sérios. Enquanto nós, mulheres de 30 saímos de casa, damos a cara à bater, encaramos um mundo competitivo e ainda desigual, eles, insistem em permanecer embaixo da sai da mamãe. E quando saem procuram em nós, o conforto materno que deixaram para trás. É quase sempre assim. Casa, comida, roupa lavada e curtição. A formula perfeita dos garotos da nossa idade. É por isso que continuamos solteiras.

Aquelas garotas prendadas que aprendiam bordar com a avô deram lugar a uma geração muito mais ativa. Politizadas, nada passivas e dispostas a conquistar um merecido lugar ao sol. É nessas horas que "eles", os pretendentes fogem. Assustamos eles, e o pior que nem é intencional. Não se trata de um ring, mas apenas de uma geração disposta a dialogar, dizer não, retrucar, dizer "tudo bem, você não quer sair hoje? Vou tomar um shop com minhas amigas. Não há nenhuma inversão de valores nessa história.

O problema são os rótulos, os esteriótipos, se você não se encaixa em nenhum padrão então, você passa a ser a frustada, a incompreendida, a coitada. Fez 31? Ainda não casou? Nenhum filho? Ahhh coitada, essa aí é uma encalhada. Como assim? Ela tem um emprego incrível, viaja pelo mundo e não arrumou nem um pretendente? Como diz aquele ditado mesmo? “Feliz no jogo, infeliz no amor”. Quanta balela, esses são os modelos que a sociedade criou e todos foram atrás, mas quem disse que é o que eu acredito? Quem disse que sou infeliz por não ter realizado o sonho da maioria de chegar os 30 com marido, filho, um lar e a rotina familiar? Você já me perguntou de eu desejo isso?

Pois bem, sabe qual é a minha frase do momento? "Descobri que minha vida depende única e exclusivamente de mim. E que tanto posso ser feliz com alguém quanto sozinha". Filme P.S. Eu te amo. Adorei, foi identificação a primeira vista. Sou trintona, na verdade tenho 32 e sou sim uma mulher sozinha e realizada. Não passo horas chorando por isso e nem sei se desejo realmente alguém na minha vida nesse momento. Não existe um mas, um porém, nem nada que diminua a qualidade e a satisfação da minha vida. Não será um homem, nem convenções, responsáveis pela minha felicidade. Sou o que quero ser e sem precisar me apoiar em nenhum relacionamento para ter felicidade plena. Como disse muito bem o Arnaldo jabour, "Uma mulher de 30 se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer".

Quanto ao fator maternidade, esse sim, acredito ser o maior impasse para aquelas que chegaram aos 30, sem a tida “realização familiar”. Mas até nisso os novos tempos nos traz soluções. As clinicas estão aí cheias de procedimentos para gravidez tardia. Os orfanatos estão ai repletos de crianças à serem adotadas. Tudo na vida são escolhas, nada é assim tão pleno. A minha escolha foi aos 30 cair no mundo, desfrutar de lugares onde nunca imaginei pisar, aprender, ensinar, descobrir e reinventar. E essa escolha me exige renúncias. É o preço, mas ninguém venha me dizer que serei infeliz por não seguir a cartilha imposta pela sociedade há milhões de anos. Sim meu bem, tenho 30, não tenho namorado, noivo ou marido e ainda assim sou feliz. Possa ser que não o tenha aos 40, aos 50, mas serão minhas escolhas e que ninguém venha me tratar como coitada só por eu não ter seguido o óbvio. Não vim ao mundo para ser óbvia.



Escrito por avany às 11h08
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